Killing Us Softly, o documentário feminista que vai mudar a sua vida

"Queria eu parece-me com a Cindy Crawford" (Cindy Crawford)

Documentários são uma forma de fazer cinema. Aqui o foco é tirar o espectador da sua zona de conforto confrontando-o com histórias reais, investigações, entrevistas e suposições que nos fazem refletir. 

Killing Us Softly (Nos Matando Discretamente, em tradução livre), se encaixa no formato mais clássico do documentário: um narrador/apresentador, uma câmera estática e imagens que explicam o que é falado. O que faz deste filme tão especial é o conteúdo. Killings Us Softly é, na verdade, uma série de documentários que desde os anos 70 analisa como a representação da mulher na publicidade é opressora.

Tudo começou em meados dos anos 70 quando Jean Kilbourne começou a colecionar peças publicitárias e refletir sobre o papel que era dado às mulheres naquele sistema. Em 1979 ela lançou o primeiro Killing Us Softly, depois ela voltou com a sequência em 1987, 1999 e 2010. Aqui vou falar especificamente de de Killings Us Softly 4 lançado em 2010, mas que fique claro que a essência dos filmes é a mesma, o que muda é que as propagandas analisadas são mais recentes.

Jean comenta no filme que vem fazendo esse trabalho há quarenta anos, mas que as pessoas ainda perguntam para ela se as coisas melhoraram quando de fato pioraram. Cada vez mais a mídia tem um papel maior na nossa vida e sua influência é perigosa, pois é subconsciente. Você pode considerar que publicidade é uma bobagem, que é apenas venda de um produto, mas na verdade a publicidade vende ideais de beleza, amor e relacionamento que, de maneira geral, são inatingíveis.

Meu conhecimento sobre feminismo e sobre como nossa vida é, sem a gente perceber, controlada pela “máquina” já era grande, mas quando eu vi Jean analisar diversas peças publicitárias minha mente abriu para coisas que estavam na minha frente eu nunca tinha reparado. Por exemplo: 


  • Objetificação da mulher Os perigos de desumanizar a mulher ao transformá-la num objeto.


Ela não é uma mulher, é apenas uma garrafa de cerveja. Ela serve para me entreter


  • Sexualização e valorização excessiva do corpoA mulher não precisa de rosto, identidade ou personalidade. Não interessa quem ela é.


Cadê o rosto? Cadê a identidade? Ela é um pedaço de mulher.


  • Criação de uma beleza inatingível –  O uso abusivo photoshop. É quase impossível encontrar uma foto que não tenha sido retocada sejam em revistas ou até nas redes sociais.


Cindy Crawford: (linda) com e sem photoshop. 

E assim segue durante todo o documentário. Jean ainda revisita algumas publicidades mais antigas e os absurdos vão te arrancar algumas risadas. Mas o fato é que cada imagem que aparecer vai te surpreender com os subtítulos que ela oferece. Mas como combater isso? Bem, segundo Jean, e eu sou a prova, o primeiro passo, e o mais importante, é se tornar consciente de como isso nos afeta. Então recomendo que todo mundo tire alguns minutos do seu dia para ver esse documentário e refletir. Garanto que você nunca mais olhará para as coisas do mesmo jeito.

Aqui o trailer de Killing Us Softly 4 pra te dar mais vontade de assistir esse documentário maravilhoso:


Vale mencionar também o Ted Talk com a maravilhosa Jean Kilbourne:

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